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	<title>Arquivo de malestarnacivilização | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
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	<description>Espaço multidisciplinar dedicado à transmissão de conhecimento, atendimento, pesquisa e interlocução nos campos da psicanálise, cultura e linguagem</description>
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	<title>Arquivo de malestarnacivilização | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
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		<title>Trocando a Felicidade pela Segurança: Reflexões sobre os Capítulos 4 e 5 de &#8216;O Mal-estar na Civilização&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 May 2024 15:47:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O amor e o trabalho fundaram os laços sociais: Eros e Ananke, o amor (o desejo); e a necessidade (o destino). Assim, a família se constituiu, segundo Freud imaginou a vida dos nossos ancestrais, através do amor do marido pela mulher e desta pelos filhos. Dessa necessidade tem-se o primeiro êxito civilizacional: fazer com que [&#8230;]</p>
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<p>O amor e o trabalho fundaram os laços sociais: Eros e Ananke, o amor (o desejo); e a necessidade (o destino). Assim, a família se constituiu, segundo Freud imaginou a vida dos nossos ancestrais, através do amor do marido pela mulher e desta pelos filhos. Dessa necessidade tem-se o primeiro êxito civilizacional: fazer com que um grande número de pessoas pudessem viver em comunidade.</p>



<p>Essa fórmula começou mal, por assim dizer, e Freud dirá no capítulo 4 de seu&nbsp;<em>O Mal-estar na Civilização</em>&nbsp;toda uma série de problemática constitucional que nossa sociedade enfrenta desde seus primórdios, para que possamos alcançar a felicidade, que é a motivação de vida do homem, o questionamento inicial do livro.</p>



<p>O amor que traria felicidade coloca o homem na situação de total vulnerabilidade, exceto se ele tiver os dotes de um santo de amar a todos, no sentido de amor incondicional (ágape) ou fraternal (philia). Esse tipo de sentimento difícil, senão impossível, é útil porque liga as pessoas da comunidade em laços de amizade que fortalecerão as relações de trabalho, pois a cultura segue a coação da necessidade econômica. Então, tem-se a dificuldade de ser feliz no amor ditado pelos moldes culturais monogâmicos e heterossexuais que fundamentam a família, e também nos laços de amizade e de trabalho que fundamentam as relações sociais.</p>



<p>No capítulo 5, Freud se aprofunda sobre essa dificuldade desmascarando uma ideia religiosa, romântica e idealizada de que o homem é um ser bonzinho por natureza, mas deturpado pela propriedade. O homem é, na verdade, o lobo do homem, ou seja: a gente vê o próximo não apenas como um possível amigo, colaborador ou objeto de desejo sexual, mas também como alguém para satisfazer nossos impulsos de agressão, para &#8220;explorar seu trabalho sem recompensá-lo, para dele se utilizar sexualmente contra a sua vontade, para usurpar seu patrimônio, para humilhá-lo, para infligir-lhe dor, para torturá-lo e matá-lo.&#8221;</p>



<p>Em outras palavras, as regras sociais e religiosas que nos &#8220;mandam&#8221; amar ao próximo como a nós mesmos, as regras que nos impedem de seguir nossos impulsos mais primitivos de amor selvagem e violência desmedida, faz com que essa frustração se volte contra nós mesmos, nos impedindo a felicidade.</p>



<p>Mas então, o homem primitivo era mais feliz sem essas restrições ao instinto? Provavelmente não, porque sem as regras sociais não havia a segurança de desfrutar essa felicidade por muito tempo. Nesse sentido, a civilização nada mais é, portanto, a troca de uma porção de felicidade por outra de segurança.</p>



<p>Agora, uma provocação: Estamos em 2024 e essas regrinhas sociais caíram bastante de moda. Hoje é aceitável o trisal (casal de 3); a homossexualidade e uma série de parafilias que há pouco tempo seriam consideradas perversões, hoje são muito respeitáveis. E temos toda uma série de norma politicamente correta, feita para que ninguém se sinta excluído socialmente, e tenha seu desejo respeitado. Por que é que com toda essa aparente mudança, a depressão é considerada o mal do século?</p>



<p>Freud termina o capítulo 4 com o seguinte questionamento: &#8220;Há ocasiões em que acreditamos perceber que não somente a pressão da cultura, mas também algo da essência da (nossa) própria função, nos recusa a plena satisfação e nos impele por outros caminhos&#8221;. E no capítulo 5, ele irá falar sobre “a miséria psicológica da massa”, que é o perigo posto quando a individualidade e a criatividade são suprimidas em prol da conformidade e da uniformidade.</p>



<p>Nos próximos três, e últimos, capítulos veremos o que de mais profundo está por trás do mal-estar na civilização</p>



<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>



<p></p>



<p>Acompanhem!</p>



<p><strong>Fonte:</strong>&nbsp;Freud, S. (2010). O Mal-estar na Civilização In S. Freud, Obras completas (P. C. de Souza, Trad., Vol. 18, pp. 40-53). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1930)</p>



<p><strong>Leia também:</strong></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/nunca-dominaremos-completamente-a-natureza-o-mal-estar-na-civilizacao-capitulo-3/">Nunca dominaremos completamente a natureza. O Mal-estar na Civilização, capítulo 3</a></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/se-fosse-vivo-o-que-freud-nos-diria-hoje-sobre-como-ser-feliz/">O que Freud diria hoje sobre felicidade e ser feliz</a></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/o-que-significa-sentimento-oceanico/">O que significa Sentimento Oceânico?</a></p>
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		<title>Nunca dominaremos completamente a natureza. O Mal-estar na Civilização, capítulo 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 May 2024 11:48:07 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como vimos no capítulo 2, para ser feliz é preciso encontrar uma fórmula feita sob medida e por si próprio, pois da civilização, segundo Freud, podemos esperar pouco e nada. A civilização é, por assim dizer, o conjunto de avanços técnicos, científicos e de normas que criamos para dominar a natureza e regulamentar nossas relações [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>Como vimos no capítulo 2, para ser feliz é preciso encontrar uma fórmula feita sob medida e por si próprio, pois da civilização, segundo Freud, podemos esperar pouco e nada. A civilização é, por assim dizer, o conjunto de avanços técnicos, científicos e de normas que criamos para dominar a natureza e regulamentar nossas relações sociais, a fim de evitarmos catástrofes e dissabores.</p>



<p>Tudo o que nos afasta dos nossos bárbaros antepassados, que se matavam, se canibalizavam, eram sujos, desorganizados, viviam sob a regra do mais forte e do olho por olho, dente por dente&#8230; tudo o que nos difere disso seria civilização.&nbsp;</p>



<p>O alto nível civilizatório de um país se reconhece por sua capacidade de dominar os meios e técnicas de produção e de se proteger frente às forças da natureza. Mas também pela sua beleza, limpeza e ordem, critérios absolutamente civilizatórios criados sob a supressão e a repressão dos nossos instintos (pulsões), pois o organismo e a psique humana, que também são parte da natureza, devem ser domados, civilizados.</p>



<p>Mas nós ainda fazemos guerras, veja bem, por acreditarmos que somos uns melhores que outros. A guerra, <a href="https://lalettre.com.br/por-que-a-guerra/">disse Freud em sua famosa carta a Einstein</a>, parece muitas vezes ser uma desculpa para colocar em ato as pulsões destrutivas do homem. Podemos dizer que a tal civilização, no final das contas, não trouxe assim tanta civilidade, pois as piores barbáries humanas aconteceram sob a égide civilizatória: o nazismo, o colonialismo, a inquisição e outras barbáries não são coisas dos &#8220;homens das cavernas&#8221;.</p>



<p>Por que as instituições por nós mesmos criadas não foram capazes de nos proporcionar proteção e bem-estar? Essa é a pergunta que Freud nos coloca no capítulo 3 do seu &#8220;O mal-estar na civilização&#8221;.&nbsp;E a resposta, (por enquanto) é&nbsp;simples: por que nunca dominaremos a natureza.</p>



<p>Freud disse isso em 1930 e em 2024 estamos desesperados porque, não apenas não dominamos a natureza, como demos vida a algo cuja natureza desconhecemos: a inteligência artificial.</p>



<p>Tampouco dominamos o nosso corpo e, além disso, as leis que criamos para regulamentar nossas relações sociais não deram muito certo. Criamos desigualdades abissais, as leis não são para todos e as nossas relações nunca estiveram tão desrespeitosas. Não à toa vira e mexe se ouve &#8220;sociedade narcisista&#8221; no sentido de cada um por si.</p>



<p>Até aqui, não dominamos a natureza, nem a nossa própria natureza, e nunca a dominaremos completamente. O porquê disso será discutido nos próximos capítulos.&nbsp;</p>



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<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>



<p><strong>Leia também:</strong></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/se-fosse-vivo-o-que-freud-nos-diria-hoje-sobre-como-ser-feliz/">O que Freud diria hoje sobre felicidade e ser feliz</a></p>



<p><strong>Fonte: </strong></p>



<p>Freud, S. (2010). O Mal-estar na Civilização In S. Freud, Obras completas(P. C. de Souza, Trad., Vol. 18, pp. 29-40). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1930)</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/nunca-dominaremos-completamente-a-natureza-o-mal-estar-na-civilizacao-capitulo-3/">Nunca dominaremos completamente a natureza. O Mal-estar na Civilização, capítulo 3</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
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		<title>O que significa Sentimento Oceânico? </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Psicanalista Patricia Alcantara]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Mar 2024 13:07:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[freud]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tudo começa no &#8220;Mal-estar na Civilização&#8221;, capítulo 1. Romain Rolland, escritor, dramaturgo francês e prêmio Nobel da Literatura, recebe uma pequena obra na qual Sigmund Freud trata a religião como uma ilusão. Rolland concorda com a crítica do amigo interlocutor, mas lamenta o fato de Freud não ter compreendido um sentimento peculiar, que seria a [&#8230;]</p>
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<p>Tudo começa no &#8220;Mal-estar na Civilização&#8221;, capítulo 1. Romain Rolland, escritor, dramaturgo francês e prêmio Nobel da Literatura, recebe uma pequena obra na qual Sigmund Freud trata a religião como uma ilusão. Rolland concorda com a crítica do amigo interlocutor, mas lamenta o fato de Freud não ter compreendido um sentimento peculiar, que seria a fonte da energia religiosa, independente das religiões.</p>



<p>O escritor nomeia esse sentimento de &#8220;oceânico&#8221;, o qual ele mesmo sentiu e soube que tantos outros sentiam, talvez toda a humanidade sinta. Tal sentimento seria a sensação de eternidade, aquele famoso &#8220;somos todos UM&#8221;, uma sensação de eternidade, de que as coisas não acabam aqui. Rolland diz que esse sentimento está além das religiões e por isso, alguém pode se sentir religioso ainda que rejeite todo e qualquer tipo de fé e de ilusão.&nbsp;</p>



<p>Freud desconhece tal sentimento em si, mas acredita que ele possa existir em outras pessoas, por que não? E então, ele passa a destrinchar de onde tal sentimento poderia vir, apesar da dificuldade de descrever cientificamente um sentimento.</p>



<p>Assim, Freud vai em busca de entender se, e como, poderia existir um sentimento inato no ser humano, que o vinculasse de imediato ao mundo, o tal do sentimento oceânico.</p>



<p>Para explicar tal fenômeno, Freud usa alguns exemplos práticos, primeiro fala da constituição do EU, que inicialmente tem tudo. O bebê nasce com esse sentimento de que tudo é ele e ele é tudo até que, a duras penas, começa a entender que existe um outro, (o peito é da mãe e não dele, pois só aparece quando ele chora). Assim, instaura-se o que Freud chama de princípio da realidade, uma tentativa de separar o interno do externo, o que é eu e o que é o outro. Então, o atual sentimento do EU pode sim ser um vestígio do que um dia foi o eu sem limites com o todo. Seria isso o tal sentimento oceânico?&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Freud dá outros exemplos bem didáticos, usando a teoria da evolução darwiniana, em que o DNA melhor adaptado vem de uma cadeia anterior de melhores adaptados, ou a formação de uma cidade antiga, cujas ruínas se encontram debaixo das novas construções, esclarecendo que na vida psíquica também é assim: a conservação do passado é uma constante (nas memórias, repetições, nos sonhos, etc).&nbsp;</p>



<p>Então, Freud trama uma rede retroativa para compreender o tal do sentimento oceânico que o amigo sente e ele não, mas não chega à mesma conclusão esotérica que Rolland quis dar ao termo. Esse EU que é TODOS, para Freud, vem de um desamparo infantil, o qual todo homem sente. A teoria freudiana é determinista neste sentido, condicional, porque todo homem vem desamparado ao mundo e precisa da ajuda do outro para sobreviver. Esta é a condição humana.</p>



<p>Longe de romantismo, esoterismo ou de qualquer outra coisa &#8220;fofa&#8221;, o sentimento oceânico para Freud, ou seja, esta sensação de ser um com o universo, está mais para uma espécie de narcisismo ilimitado, onde o homem busca desesperadamente estar no controle de tudo para se proteger da ameaça do mundo exterior, acreditando, ou melhor, ilusionando &#8211; para retomar ao texto onde ele dizia que a religião é uma ilusão &#8211; que existe um grande pai que olha por nós, que nos protege, que conhece as nossas necessidades, que escuta nossos pedidos desesperados (o choro condicional) e, sobretudo, nos apazigua de um eventual arrependimento por termos feito coisas ruins. Como faz todo bom e compreensivo pai: protege e perdoa, mas também cobra e exige!</p>



<p>Bem por isso, o filho desamparado no oceano de sentimentos se sente acolhido, mas ao mesmo tempo está sempre em perigo. E esse é o Mal-estar na Civilização. As águas se agitam com o vento e nada se pode fazer. Alguns rezam, outros pintam quadros, mas isso é assunto para outros capítulos.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Fonte: <strong>Freud</strong>, S. (2010). <strong>O Mal-estar na Civilização</strong> In S. <strong>Freud</strong>, <strong>Obras completas</strong> (P. C. de Souza, Trad., <strong>Vol</strong>. <strong>18</strong>, pp. 9-18). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1930)</p>
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