<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de sentimento oceânico | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
	<atom:link href="https://lalettre.com.br/tag/sentimento-oceanico/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://lalettre.com.br/tag/sentimento-oceanico/</link>
	<description>Espaço multidisciplinar dedicado à transmissão de conhecimento, atendimento, pesquisa e interlocução nos campos da psicanálise, cultura e linguagem</description>
	<lastBuildDate>Sat, 23 May 2026 15:20:05 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2024/08/logo-512-x-512-1-150x150.png</url>
	<title>Arquivo de sentimento oceânico | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
	<link>https://lalettre.com.br/tag/sentimento-oceanico/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Um Rato no Oceano: quando Freud e Clarice se encontram num conto</title>
		<link>https://lalettre.com.br/um-rato-no-oceano-quando-freud-e-clarice-se-encontram-num-conto/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/um-rato-no-oceano-quando-freud-e-clarice-se-encontram-num-conto/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2024 18:59:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise e Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Clarice Lispector]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[freud]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[sentimento oceânico]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=5137</guid>

					<description><![CDATA[<p>Em tom singelo singular de primeira pessoa, devo confessar o quão difícil é juntar dois gênios da humanidade em um só pensamento. Mas como Deus está em tudo, em uma nesga de mar entrevi Freud e Clarice dialogando, graças à sugestão de nosso querido professor Elias Farias, psiquiatra e psicanalista. –&#160;Tem um rato no oceano [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/um-rato-no-oceano-quando-freud-e-clarice-se-encontram-num-conto/">Um Rato no Oceano: quando Freud e Clarice se encontram num conto</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em tom singelo singular de primeira pessoa, devo confessar o quão difícil é juntar dois gênios da humanidade em um só pensamento. Mas como Deus está em tudo, em uma nesga de mar entrevi Freud e Clarice dialogando, graças à sugestão de nosso querido professor Elias Farias, psiquiatra e psicanalista.</p>



<p>–&nbsp;<em>Tem um rato no oceano –</em>&nbsp;disse Clarice a Freud, contando-lhe um sonho.</p>



<p>É impressionante como a arte e a psicanálise se mesclam de maneira inseparável. Ambas desbravam almas e nessa descoberta, resta, apenas catarse.</p>



<p>No conto ‘Perdoando Deus’, vemos Clarice Lispector tendo a nobre sensação do <a href="https://lalettre.com.br/o-que-significa-sentimento-oceanico/">sentimento oceânico</a> descrito por Freud em seu&nbsp;<em>O</em>&nbsp;<em>Mal-estar na civilização</em>. &#8220;A mãe de Deus&#8221;, como se percebe Clarice, de repente sente aquela leveza típica de quem se une ao todo. Mas Deus, maravilhoso, bom e perfeito é, na verdade, cruel. Sim, cruel! Pois colocou um rato no caminho de uma musofóbica (μῦς, do grego&nbsp;<em>mouse</em>, rato; e fobia, medo).</p>



<p>O mundo é assim: belo e bruto, suave como a brisa do mar e pesado como o sangue que da morte escorre. E como Deus, onipresente, onipotente, onisciente está em tudo, está também no sangue do rato dilacerado.</p>



<p>Pois é preciso abarcar esse rato no oceano de águas límpidas e cristalinas, mas com seu sangue vermelho vivo, é capaz de atrair predadores; quais predadores? O EU predador, este também contido em Deus, pois tudo é Deus.</p>



<p>Eis que Clarice lança uma frase muito freudiana em seu conto:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>&#8220;Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala.&#8221;</p>
</blockquote>



<p>Ou seja, a distância entre o eu e o outro é tão opaca quanto a distância entre eu e mim mesma. Isso é o inconsciente, o oceano inconsciente onde as coisas não têm sentido: tem um rato no oceano.</p>



<p>Em vez de morto, o rato está vivo. Em vez de vivo, está morto, dilacerado de sangue na nesga, na sarjeta, no fio fino que nos separa do outro (se é que nos separa).</p>



<p>–&nbsp;<em>E como é esse rato?</em>&nbsp;– pergunta Freud a Clarice&#8230;</p>



<p>–&nbsp;<em>Esse rato sou eu</em>&nbsp;– responde a escritora&nbsp; –&nbsp;&nbsp;<em>Meu Deus, esse rato sou eu!</em></p>



<p>&#8220;Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe&#8221;, conclui Clarice perdoando Deus por ter-lhe mostrado que tem um rato no oceano, no lindo sentimento oceânico que une todos os homens e ainda proclama: amai-vos uns aos outros, amai-vos a quem vos odeia, as cobras, as baratas e os mosquitos. Amai também os ratos!</p>



<p>Esse conto bem representa o que seria a Felicidade Clandestina&#8230; Freudiana!</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>



<p><strong>Fontes:</strong></p>



<p>Freud, Sigmund (2010). O Mal-estar na Civilização In S. Freud, Obras completas(P. C. de Souza, Trad., Vol. 18). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1930).</p>



<p>Lispector, Clarice. “Perdoando Deus.” In: Lispector, Clarice. Felicidade Clandestina. Rio de<br>Janeiro: Rocco, 1998, p. 41–45.</p>



<p><strong>Leia também:</strong></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/se-fosse-vivo-o-que-freud-nos-diria-hoje-sobre-como-ser-feliz/">O que Freud diria hoje sobre felicidade e ser feliz</a></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/nunca-dominaremos-completamente-a-natureza-o-mal-estar-na-civilizacao-capitulo-3/">Nunca dominaremos completamente a natureza. O Mal-estar na Civilização, capítulo 3</a></p>



<p><a href="https://lalettre.com.br/a-complexidade-do-edipo-muito-alem-do-seu-complexo/">A complexidade do Édipo muito além do seu complexo</a></p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/um-rato-no-oceano-quando-freud-e-clarice-se-encontram-num-conto/">Um Rato no Oceano: quando Freud e Clarice se encontram num conto</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/um-rato-no-oceano-quando-freud-e-clarice-se-encontram-num-conto/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
