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	<title>Arquivo de saudemental | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
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	<description>Espaço multidisciplinar dedicado à transmissão de conhecimento, atendimento, pesquisa e interlocução nos campos da psicanálise, cultura e linguagem</description>
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	<title>Arquivo de saudemental | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
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		<title>Luto e Melancolia: Uma Releitura da Relação entre Perda e Elaboração na Estrutura Psíquica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marlete Lins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 22:01:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[freud]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marlete Lins Psicanalista formada pelo Instituto La Lettre em 2025, Graduada em Ciências pela UNESF– FUNESO – Olinda – PE, Especialista no Ensino Prático de Biologia – UNICAPE. Resumo Ao explorar a relação entre o luto e a perda, na perspectiva da Psicanálise, pode-se observar que quando uma carga energética libidinal envolve um sujeito em [&#8230;]</p>
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<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="540" height="809" src="https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2025/11/marlete-lins.jpg" alt="" class="wp-image-11833" style="width:119px;height:auto" srcset="https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2025/11/marlete-lins.jpg 540w, https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2025/11/marlete-lins-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 540px) 100vw, 540px" /></figure>



<p>Marlete Lins</p>



<p>Psicanalista formada pelo Instituto La Lettre em 2025, Graduada em Ciências pela UNESF– FUNESO – Olinda – PE, Especialista no Ensino Prático de Biologia – UNICAPE.</p>



<p><strong>Resumo</strong></p>



<p>Ao explorar a relação entre o luto e a perda, na perspectiva da Psicanálise, pode-se observar que quando uma carga energética libidinal envolve um sujeito em relação a um objeto, e esse objeto é, de alguma forma, perdido, grande pode ser o abalo no psiquismo desse sujeito. O luto envolve todo um processo de elaboração relacionado à libido que estava investida, e que precisa ser reinvestida/redirecionada, após a aceitação dessa perda. A dificuldade de se desvincular de um objeto deve ser levada em consideração e, principalmente, a forma com a qual cada sujeito interpreta essa realidade por meio da sua subjetividade. O tempo que se leva para elaborar esse luto, difere de sujeito para sujeito, o que pode constar de períodos depressivos ou de ansiedade; o que é, para muitos, a porta de entrada para a clínica psicanalítica. Assim, busca-se compreender como a Psicanálise pode ajudar o sujeito a lidar com o luto, analisando os conceitos freudianos acerca das causas, manifestações e consequências dos estados psíquicos mais comuns vivenciados pelo sujeito enlutado, por intermédio de um olhar que sempre convoca a clínica psicanalítica, ao longo dos tempos, a contemplar esses casos.</p>



<p><strong>Palavras-chave:</strong> luto; melancolia; perda; libido; clínica psicanalítica.</p>



<p><strong>Sobre o luto</strong></p>



<p>O Ensaio publicado por Sigmund Freud em 1917, escrito em 1915, “Luto e Melancolia”, distingue duas experiências psíquicas aparentemente semelhantes. É um texto emblemático que trata de sentimentos profundos que causam grandes e distintos impactos na estrutura psíquica do sujeito que os experimenta. Ambos envolvem a perda de um objeto amado, seja uma pessoa, um ideal ou uma identidade. O modo, todavia, como a psique lida com essa perda varia, consideravelmente, de sujeito para sujeito. Freud define o luto como uma reação à perda de algo ou alguém de grande valor, um processo natural de adaptação psíquica que envolve a elaboração de uma perda e que jamais dever ser visto como uma doença. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right">“Confiamos em que será superado após certo tempo, e achamos que perturbá-lo é inapropriado, até mesmo prejudicial” (Freud, 2010, 172).</p>
</blockquote>



<p>Trata-se, assim, de um processo natural que, embora possa afastar o sujeito das suas atividades habituais, passará após a sua elaboração.</p>



<p>O luto sempre ocorre a partir de um evento traumático, alguma perda, não necessariamente pela morte de um parente ou de alguém muito significante, mas pode se referir à perda de um emprego, o afastamento de um amigo ou uma separação conjugal. Ao vivenciar um desses eventos, o sujeito pode responder de uma forma mais saudável, mais natural. Supondo que uma pessoa tenha perdido seu irmão mais querido, vítima de uma doença grave, durante um tempo, há um recolhimento, um período de afastamento das atividades costumeiras e do convívio social. Nesta fase, o choro é comum ao se reviver as lembranças da convivência com aquele irmão. É natural e desejável que, depois desse período, aos poucos, a pessoa vá elaborando este episódio doloroso e voltando à sua rotina.</p>



<p>Eventos como esse, ocorrem inúmeras vezes na vida do sujeito, e estão diretamente relacionados com a libido, que é a energia psíquica que impulsiona o ser humano. Quando o sujeito se depara com algo que lhe dá satisfação, há um investimento de libido sobre esse objeto, seja ele uma pessoa, um trabalho ou uma atividade esportiva. Assim, quando há uma perda ou o afastamento desse objeto, essa libido, investida no objeto em foco, fica sem lugar. O processo de luto consiste em fazer com que essa libido retorne para o sujeito para ser, novamente, direcionada a outro objeto. Dessa forma, o sujeito pode seguir o curso da vida, pronto para outras experiências e outros trabalhos de luto.</p>



<p>Esse trabalho de luto consiste em renunciar a um determinado caminho de prazer que estava montado, renunciar a uma relação amorosa que estava estabelecida, renunciar a uma amizade de longa data que já contava com a confiança. No luto o sujeito é convidado a ressignificar todo o investimento libidinal que havia sido dedicado ao referido objeto. Por conseguinte, quando o sujeito elabora essa separação, ele está pronto para reinvestir a sua energia psíquica em outros objetos, pessoas, ideais, causas e situações.</p>



<p><strong>Sobre a melancolia</strong></p>



<p>Na melancolia, o sujeito apresenta um estado de ânimo profundamente doloroso, a ponto de ser descrito como dilacerante. É um processo que se diferencia do luto pelo fato do sujeito perder sua autoestima, levando-o a desferir ofensas contra si mesmo, como se simulasse um ato de punição. </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“A melancolia se caracteriza, em termos psíquicos, por um abatimento doloroso, um desinteresse pelo mundo exterior, perda da capacidade de amar, inibição de toda atividade e diminuição da autoestima” (Freud, 2010, p.172).</em></p>



<p>A melancolia caracteriza-se psiquicamente por um estado de ânimo profundamente dolorido, pela suspensão do interesse pelo mundo externo, pela perda da capacidade de amar, pela inibição geral das capacidades de realizar tarefas e pela depreciação do sentimento por si mesmo. O sujeito não sabe dizer o que perdeu, descreve um vazio no qual nada o preenche, atestando uma escuridão interminável. Mesmo que o sujeito seja consciente da perda, ele não saberia dizer o que perdeu, dada a íntima identificação com o objeto perdido. Há toda uma problemática da ausência combinada a uma presença maciça do objeto, dentro de si.</p>



<p>A grande diferença entre luto e melancolia, é a forma como a estrutura psíquica do sujeito responde ao evento traumático. Seguindo com o exemplo supracitado, no qual a ocorrência se refere à perda de um irmão. Nesse sentido, um outro irmão pode receber o fato de maneira tal, que a dor é insuportável, pois ele não consegue explicar o que perdeu. Há, nesse caso, uma identificação com o objeto perdido, como se ambos se fundissem e o sujeito sucumbisse, se depreciasse e se culpasse, entrando num processo de morte.</p>



<p>Por infligir nele mesmo uma culpa excessiva num movimento de autodestruição, isso se difere do luto, pois há uma identificação do sujeito com o objeto perdido, o que faz com que o mundo interno se perca. A sombra do objeto perdido recai sobre o ego, e este passa a ser visto como objeto, o que permite ao sujeito investir, sobre si mesmo, os afetos que seriam direcionados ao objeto amado, depreciando seu próprio eu, agredindo a sua autoestima. Sendo assim, há uma dificuldade enorme de se desvencilhar desses sentimentos, e o sujeito passa a vivenciar uma dor interminável.</p>



<p><strong>Sobre a clínica</strong></p>



<p>No setting analítico acolhe-se frequentemente pessoas que chegam angustiadas, sentindo um imenso vazio, uma sensação de insignificância, um quadro que coincide com um estado de profunda dor, de abandono de si, de desinteresse pelas atividades cotidianas e depreciação do próprio ser; um quadro de melancolia.</p>



<p>O melancólico, neste sentido, tem uma sensação de desvalia do eu, com uma dor moral, uma dor de existir, um sentimento de culpa e de autopunição, tudo isso gira em torno de um objeto perdido.</p>



<p>Para a Psicanálise, o sintoma é o meio que o sujeito encontrou, para poder continuar seguindo o curso da vida, para se constituir como sujeito, em que pesem os sofrimentos. O sujeito melancolizado se apresenta pouco disposto a investir, a apostar no mundo e na realidade externa, a perseguir os seus sonhos apostando em novas possibilidades. Se sente impedido de falar acerca do seu estado, sem perspectivas de futuro. Assim, pergunta-se: qual o caminho a escolher? O que pode levar o sujeito a pensar na sua dor, a mudar de posição em relação ao seu próprio sofrimento?</p>



<p>Dessarte, a melancolia é um estado no qual a dor é descrita como maior que tudo, maior até que a vontade de viver, na qual o sujeito é capaz de depreciar o próprio eu, desferindo afetos que, segundo Freud, seriam, possivelmente, direcionados ao objeto perdido, como uma forma de manter o laço de uma presença sempre ausente. Dirá o pai da psicanálise que: </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Ouvindo com paciência as autoacusações de um melancólico, não conseguimos, afinal, evitar a impressão de que frequentemente as mais fortes entre elas não se adequam muito a sua própria pessoa, e sim, com pequenas modificações, a uma outra, que o doente ama, amou ou devia amar” (Freud, 2010, p.179).</em></p>



<p>Nesse luto infinito é o movimento no qual o sujeito pode se colocar à sombra do objeto, assumindo a sua forma. É quando o sujeito internaliza o objeto numa relação nomeada por Freud, identificação narcísica, que não se permite que o sujeito separe o objeto perdido de si mesmo. Na internalização do objeto amado, os afetos não encontram outro alvo, senão o próprio sujeito. Tudo isso ocorre, segundo Freud, pelo deslocamento da libido que era investida naquele objeto que fora perdido e que, após a sua perda, foi internalizado, não podendo ser reinvestido.</p>



<p>Com isso, a libido recua para o eu, mas desta vez contra o sujeito, causando todo esse estado de dor e de perda de si mesmo, o que consiste na manifestação patológica do luto. </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Desse modo a perda do objeto se transformou numa perda do Eu, e o conflito entre o Eu e a pessoa amada, numa cisão entre a crítica do Eu e o Eu modificado pela identificação” (Freud, 2010, p.181).</em></p>



<p>É quando o luto se eterniza e o sujeito melancólico acaba por ser aquele incapaz de encontrar o caminho de volta a um porto seguro, para vislumbrar um novo caminho a seguir, rumo a outros objetos de desejo.</p>



<p><strong>Considerações finais</strong></p>



<p>O presente estudo propôs uma breve releitura do texto “Luto e Melancolia” de Sigmund Freud, explorando o tema de forma singela, buscando entender os mecanismos que levaram o autor a observar os mecanismos de enfrentamento da dor da perda e a compreender que nem todos conseguem lidar com a perda, seja ela repentina ou esperada. O luto tem um papel crucial na vida do sujeito, tendo em vista que não é possível viver sem perder, pois, a qualquer momento se pode ser surpreendido por uma perda e, quando se perde algo, também se perde algo de quem se é. Contudo, diante do objeto perdido, nota-se que este nunca será perdido por completo, pois, a qualquer momento, um cheiro, uma recordação, uma música, um ruído, um sabor, algo poderá trazer a lembrança daquele objeto amado e reacender a sua presença. O luto é algo inerente ao ser humano, e será inúmeras vezes, vivenciado, elaborado, transposto e, após o término do seu trabalho, haverá espaço para um novo investimento de libido em novos objetos. Na melancolia o trabalho não se completa, o sujeito vive um luto sem fim, uma dor corrosiva e estranha que o leva a depreciar e punir a si mesmo, sendo esse o único meio de expressar os afetos em relação àquele objeto que, internalizado, passou a fazer parte de si mesmo.</p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p>FREUD, Sigmund. Luto e melancolia (1915). In: FREUD, Sigmund. Obras completas volume 12: introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. v. 12.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Deve-se estudar Psicanálise nas Universidades? </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Psicanalista Patricia Alcantara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Mar 2024 12:53:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[freud]]></category>
		<category><![CDATA[psicanalise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um texto de 1919, Sigmund Freud responde a questão do título. Uma pergunta que se faz até hoje e um tema interessante para se debater nas diversas instituições de ensino, faculdades, universidades ou cursos de psicanálise. A questão se coloca sob dois pontos de vista: o da psicanálise e o das universidades. Sob o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em um texto de 1919, Sigmund Freud responde a questão do título. Uma pergunta que se faz até hoje e um tema interessante para se debater nas diversas instituições de ensino, faculdades, universidades ou cursos de psicanálise.</p>



<p>A questão se coloca sob dois pontos de vista: o da psicanálise e o das universidades. Sob o primeiro ponto de vista, a resposta é simples e direta: a psicanálise pode tranquilamente prescindir das universidades, pois sua metodologia de ensino está bem estruturada no tripé psicanalítico: teoria, prática e supervisão.</p>



<p>Freud diz que aquilo que um psicanalista &#8220;necessita teoricamente, pode ser obtido na literatura especializada e aprofundado nas reuniões científicas das sociedades psicanalíticas, assim como na troca de ideias com os membros mais experientes&#8221;.</p>



<p>Quanto à prática, o psicanalista aprende na sua análise pessoal e ao tratar pacientes, sob aconselhamento e supervisão de colegas mais experientes.</p>



<p>A aprendizagem da psicanálise supõe um saber contínuo. Na verdade, isso faz com que a psicanálise seja uma arte e uma ciência sempre atualizada com seu tempo, o que muitos cursos universitários não conseguem manter.</p>



<p>Quanto ao segundo ponto de vista, o das universidades, claro que para um psicanalista, conhecedor da importância social da psicanálise, a inclusão dessa matéria no currículo escolar seria muito bem-vinda. Mas quem mais ganharia com isso seriam as próprias universidades se, dispostas estivessem a atribuir o devido valor à psicanálise. Freud explica isso em quatro pontos:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Seria muito útil ensinar psicanálise aos estudantes de medicina, pois as faculdades usam um método unilateral de ensino e não falam sobre a importância dos fatores psíquicos na saúde física, abrindo espaço para qualquer charlatão (hoje, <em>coaches</em>) ter influência sobre os pacientes. Veja a atualidade desse discurso hoje em dia, onde se fala de doenças psicossomáticas, sobretudo as doenças de pele, as doenças autoimunes e a fibromialgia, até agora de etiologia desconhecida.</li>



<li>A psicanálise poderia ser um curso de introdução à psiquiatria, que ainda hoje é, muitas vezes, uma matéria apenas descritiva, sem entendimento ou interpretação dos fatos observados e com uma etiologia apenas orgânica, com exceção de poucos psiquiatras. A psicanálise poderia ser básica para os estudantes gerais de medicina, e especializada para os de psiquiatria.&nbsp;</li>



<li>A psicanálise tem um método próprio multi e interdisciplinar, que mistura artes, filosofia, história, sociologia, etc, sendo uma verdadeira <em>univeristas litterarum </em>(representa a totalidade institucional das ciências).&nbsp;</li>



<li>A psicanálise pressupõe um saber em formação contínua. Nenhum estudante sai da faculdade sendo um profissional. Ele pode estar habilitado em alguns casos, mas é a prática que forma a profissão.</li>
</ol>



<p>Se a psicanálise poderia ser estudada nas universidades, a resposta é claro que sim! E isso seria bom para a sociedade, sobretudo. Mas para ser psicanalista, não seria a universidade, nem um curso que a valha, a habilitar o profissional. A psicanálise está além disso, é um saber contínuo, prático, teórico e universal (no sentido forte do termo).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>



<p>Fonte: <strong>Freud</strong>, S. (2010). <strong>Deve</strong>&#8211;<strong>se ensinar a psicanálise nas universidades</strong>? In S. <strong>Freud</strong>, <strong>Obras completas</strong> (P. C. de Souza, Trad., <strong>Vol</strong>. <strong>14</strong>, pp. 377-381). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1919)</p>
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		<title>Por que a Guerra?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Mar 2024 12:52:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma pergunta muito fácil de responder: Guerra porque alguém quer fazer valer a sua vontade, nem que seja à força! Simples assim, sempre foi assim, os animais fazem assim, os machos se matam entre eles para copular as fêmeas, algumas fêmeas matam seus machos em defesa dos filhos e por aí vai&#8230; o instinto de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma pergunta muito fácil de responder: Guerra porque alguém quer fazer valer a sua vontade, nem que seja à força! Simples assim, sempre foi assim, os animais fazem assim, os machos se matam entre eles para copular as fêmeas, algumas fêmeas matam seus machos em defesa dos filhos e por aí vai&#8230; o instinto de sobrevivência que destroi a si ou ao outro para mandar o DNA pra frente. Assim lhes fora ensinado filogeneticamente. Ou seja, essa é a história da evolução (ou melhor, da involução) das espécies.</p>



<p>Mas os homens não seriam animais. Não, ao menos, os homens iluminados pelo Iluminismo. Estes seriam dotados da razão que os levaria a tomar sábias decisões para o bem de um e de todos. Contudo, estes homens, filhos do Iluminismo, crentes do saber racional, foram os mesmos que fizeram guerras. Não uma guerra de paus e pedras como se estivessem nas cavernas, mas guerras modernas, feitas de armas e estratégias. Se os homens fossem guiados pela razão, teriam a consciência de que a guerra é um jogo perigoso, onde todos saem perdendo, ainda que se achem vencedores em algumas poucas e ilusórias vitórias. Talvez não seja, então, a razão quem os guia.</p>



<p>Existem hoje em curso pelo menos 9 grandes guerras, duas delas, as mais holofotizadas, poderiam culminar em uma 3ª Guerra Mundial. Nada mais involutivo e previsível para quem conhece a história da humanidade que é, sempre foi, e talvez sempre será, marcada de sangue até que retornemos à matéria inorgânica.</p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>As cartas de Freud e Einstein sobre a guerra</strong></p>



<p>Aqueles que estão familiarizados com a teoria psicanalítica, já perceberam as ideias de Sigmund Freud nessa pequena introdução. Albert Einstein, um dos gênios da humanidade, apesar de sua inteligência superior, não tinha ideia do que viria a saber quando perguntou a Freud se existiria uma maneira de frear os impulsos malignos humanos para a guerra.</p>



<p>Einstein sabia quem era Freud: &#8220;um apaixonado por apurar a verdade da psique humana&#8221;, assim o descreve na carta, em suas quase exatas palavras e, exatamente por isso, convidou o pai da psicanálise para, em nome do Instituto Internacional para a Cooperação Intelectual da Liga das Nações, responder a algumas questões sobre a guerra.</p>



<p>Agora veja bem que história incrível: A Liga das Nações, também conhecida como Liga Sociedade das Nações, foi uma organização internacional, idealizada em 1919 em Versalhes, Paris, onde as potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial se reuniram para criar um acordo de paz, conhecido como os 14 Pontos, proposto pelo então presidente estadunidense Thomas Woodrow Wilson. Hoje, a Liga das Nações seria a ONU, um organismo supranacional teoricamente promotor da paz, mas nem precisaria dizer, falido em sua competência principal. Por que?</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Por que a guerra?</strong></h2>



<p>Na carta de Einstein endereçada a Freud, há uma espécie de inocência do físico em apoiar a fundação de uma sociedade de homens de alto valor moral, capaz de colocar panos frios nos ânimos fervorosos dos fomentadores da guerra. Nem precisou ir longe para logo ver a impossibilidade da ideia. A Liga das Nações morreu em 1946 e hoje a ONU é o que é. Detalhe: os 14 Pontos não foram cumpridos em suas principais metas e o ex-presidente Wilson foi psicanalisado em um livro (O Caso Wilson) onde, de alguma forma, Freud ajuda a explicar os porquês da guerra.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Como livrar os homens da fatalidade da guerra?</strong></h2>



<p>Em 1932 Freud vai responder a carta de Albert Einstein tentando dissecar a seguinte &#8220;pergunta do milhão&#8221;: existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra?</p>



<p>A carta precisa ser lida pela riqueza da argumentação de Freud e, inclusive, por suas pitadas de ironia. Mas, para facilitar a organização de suas ideias, passamos aqui a resumir, a nosso ver, seus principais pontos:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Freud recebe a carta de Einstein</strong> pensando se tratasse de temas menos complexos, dizendo-se incompetente para falar de questões práticas sobre a guerra, o que seria de competência de estadistas, mas se dispõe a discorrer sobre o assunto como um &#8220;indivíduo humanitário&#8221;.</li>



<li><strong>A discussão começa pela relação entre direito e poder</strong>, corrigindo o &#8220;poder&#8221; de Einstein para uma palavra mais precisa por Freud: a violência. O poder é conseguido pela violência: do pai para o filho, do homem para a mulher, do mais forte ao mais fraco e do maior detentor, ou do mais hábil em usar armas, ao menos hábil e menor detentor.</li>



<li><strong>Direito e violência não são opostos, ao contrário:</strong> &#8220;o direito é o poder de uma comunidade. É ainda violência, pronta a se voltar contra todo indivíduo que a ela se oponha&#8221;. Mas para ser direito, e não violência, é preciso que ele seja imposto pelo bem comum, como é hoje em dia: o direito comum sempre se sobrepõe ao direito singular, e aí está o famoso &#8220;pulo do gato&#8221;.&nbsp;</li>



<li><strong>O reconhecimento de uma comunidade (a união faz a força)</strong> seria capaz de superar a violência &#8220;mediante a transferência do poder para uma unidade maior, que é mantida por vínculos afetivos entre seus membros&#8221;. As leis determinariam até que ponto o indivíduo deve renunciar à sua liberdade pessoal em nome de uma coexistência social segura. Mas o direito da comunidade é, por si só, a expressão das relações desiguais de poder em seu interior, então, as leis, que são feitas por e para os que dominam, sempre reservam poucos direitos para os dominados. Isso gera uma mobilidade social sempre em busca dos direitos: um dia do caçador, outro da caça, e essa dinâmica não tem fim.</li>



<li><strong>Exatamente por isso, a guerra não consegue promover a paz</strong>, pois &#8220;os resultados de uma conquista normalmente não são duradouros; novas unidades tornam a se dissolver, em geral devido à falta de coesão das partes unidas violentamente&#8221;.</li>



<li><strong>A prevenção da guerra seria possível se</strong> os homens conseguissem se unir em uma instituição de um poder central, como a Liga das Nações, mas ela nunca teria o poderio necessário, pois nunca seria reconhecida pelos seus membros. Por que? Porque cada povo, grupo ou família se acha melhor que o outro. E não seria no fundo este, o motivo das guerras? O Nazismo explica, mas não só&#8230;</li>



<li><strong>A questão colocada por Freud vem das nossas entranhas:</strong> &#8220;os instintos humanos são de dois tipos apenas: os que tendem a conservar e unir e os que procuram destruir e matar. Cada um desses instintos é tão indispensável quanto o outro, é da atuação conjunta ou contrária de ambos que surgem os fenômenos da vida&#8221;.</li>



<li><strong>O prazer na agressão e na destruição é tão verdadeiro quanto</strong> o prazer de amar e unir. É como dizer que o ser vivo conserva sua própria vida ao destruir a vida alheia e, assim sendo, não há perspectiva de abolir as tendências agressivas do homem, um ser ambivalente por natureza.&nbsp;</li>



<li><strong>Ao final da carta, uma grande ironia de Freud</strong> quando ele diz ter ouvido falar de regiões felizes da Terra onde não existem coerção nem agressividade: &#8220;Tenho dificuldade em crer nisso, gostaria de saber mais a respeito dessas criaturas felizes. Os bolchevistas também esperam fazer desaparecer a agressividade humana, garantindo a satisfação das necessidades materiais e, de resto, instaurando a igualdade entre os membros da comunidade. Considero isso uma ilusão. Por enquanto se acham cuidadosamente armados, e um importante recurso para manterem unidos os seus seguidores é o ódio a todos os demais.&#8221;</li>



<li><strong>Como &#8220;remédio&#8221; contra a guerra, Freud diz:</strong> &#8220;Se a disposição para a guerra é uma decorrência do instinto de destruição, então será natural recorrer, contra ela, ao antagonista desse instinto, a Eros. Tudo que produz laços emocionais entre as pessoas tem efeito contrário à guerra.&#8221;</li>
</ol>



<p>Por fim, Freud que é considerado pessimista (na verdade um realista) tem um lapso de otimismo, afinal ele é filho do Iluminismo. Freud acredita que &#8220;tudo o que promove a evolução cultural também trabalha contra a guerra.&#8221;</p>



<p>É como se o homem que deu inteligência ao inconsciente nos chamasse à consciência: racionalizemos com a famosa frase de Albert Einstein:</p>



<p>&#8220;Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus.&#8221;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



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</blockquote>



<p><strong>Fontes:</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_das_Na%C3%A7%C3%B5es">A Liga das Nações (Wikipedia)</a></li>



<li><a href="https://www.public.asu.edu/~jmlynch/273/documents/FreudEinstein.pdf">The Einstein to Freud Correspondence (1931-1932)</a></li>



<li><a href="https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2013/10/freud-obras-completas-vol-18-1930-1936.pdf">Freud: Obras Completas Volume 18 (1930-1936)</a></li>



<li><a href="https://twitter.com/bbcbrasil/status/1729635973594513825?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1729635973594513825%7Ctwgr%5E4d329cb732b48bc2b3c8621b350896d2a6ab6eba%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fwww.greenme.com.br%2Fviver%2Fcostume-e-sociedade%2F105523-as-guerras-no-mundo-alem-de-ucrania-e-israel">BBC News &#8211; X</a></li>
</ol>
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