<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de psicanálise | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
	<atom:link href="https://lalettre.com.br/tag/psicanalise/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link></link>
	<description>Espaço multidisciplinar dedicado à transmissão de conhecimento, atendimento, pesquisa e interlocução nos campos da psicanálise, cultura e linguagem</description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Jul 2026 12:50:14 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.7</generator>

<image>
	<url>https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2024/08/logo-512-x-512-1-150x150.png</url>
	<title>Arquivo de psicanálise | Instituto La Lettre | Psicanálise</title>
	<link></link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Luto e Melancolia: Uma Releitura da Relação entre Perda e Elaboração na Estrutura Psíquica</title>
		<link>https://lalettre.com.br/luto-e-melancolia-uma-releitura-da-relacao-entre-perda-e-elaboracao-na-estrutura-psiquica/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/luto-e-melancolia-uma-releitura-da-relacao-entre-perda-e-elaboracao-na-estrutura-psiquica/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marlete Lins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 22:01:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[freud]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[saudemental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=11832</guid>

					<description><![CDATA[<p>Marlete Lins Psicanalista formada pelo Instituto La Lettre em 2025, Graduada em Ciências pela UNESF– FUNESO – Olinda – PE, Especialista no Ensino Prático de Biologia – UNICAPE. Resumo Ao explorar a relação entre o luto e a perda, na perspectiva da Psicanálise, pode-se observar que quando uma carga energética libidinal envolve um sujeito em [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/luto-e-melancolia-uma-releitura-da-relacao-entre-perda-e-elaboracao-na-estrutura-psiquica/">Luto e Melancolia: Uma Releitura da Relação entre Perda e Elaboração na Estrutura Psíquica</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="540" height="809" src="https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2025/11/marlete-lins.jpg" alt="" class="wp-image-11833" style="width:119px;height:auto" srcset="https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2025/11/marlete-lins.jpg 540w, https://lalettre.com.br/wp-content/uploads/2025/11/marlete-lins-200x300.jpg 200w" sizes="(max-width: 540px) 100vw, 540px" /></figure>



<p>Marlete Lins</p>



<p>Psicanalista formada pelo Instituto La Lettre em 2025, Graduada em Ciências pela UNESF– FUNESO – Olinda – PE, Especialista no Ensino Prático de Biologia – UNICAPE.</p>



<p><strong>Resumo</strong></p>



<p>Ao explorar a relação entre o luto e a perda, na perspectiva da Psicanálise, pode-se observar que quando uma carga energética libidinal envolve um sujeito em relação a um objeto, e esse objeto é, de alguma forma, perdido, grande pode ser o abalo no psiquismo desse sujeito. O luto envolve todo um processo de elaboração relacionado à libido que estava investida, e que precisa ser reinvestida/redirecionada, após a aceitação dessa perda. A dificuldade de se desvincular de um objeto deve ser levada em consideração e, principalmente, a forma com a qual cada sujeito interpreta essa realidade por meio da sua subjetividade. O tempo que se leva para elaborar esse luto, difere de sujeito para sujeito, o que pode constar de períodos depressivos ou de ansiedade; o que é, para muitos, a porta de entrada para a clínica psicanalítica. Assim, busca-se compreender como a Psicanálise pode ajudar o sujeito a lidar com o luto, analisando os conceitos freudianos acerca das causas, manifestações e consequências dos estados psíquicos mais comuns vivenciados pelo sujeito enlutado, por intermédio de um olhar que sempre convoca a clínica psicanalítica, ao longo dos tempos, a contemplar esses casos.</p>



<p><strong>Palavras-chave:</strong> luto; melancolia; perda; libido; clínica psicanalítica.</p>



<p><strong>Sobre o luto</strong></p>



<p>O Ensaio publicado por Sigmund Freud em 1917, escrito em 1915, “Luto e Melancolia”, distingue duas experiências psíquicas aparentemente semelhantes. É um texto emblemático que trata de sentimentos profundos que causam grandes e distintos impactos na estrutura psíquica do sujeito que os experimenta. Ambos envolvem a perda de um objeto amado, seja uma pessoa, um ideal ou uma identidade. O modo, todavia, como a psique lida com essa perda varia, consideravelmente, de sujeito para sujeito. Freud define o luto como uma reação à perda de algo ou alguém de grande valor, um processo natural de adaptação psíquica que envolve a elaboração de uma perda e que jamais dever ser visto como uma doença. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right">“Confiamos em que será superado após certo tempo, e achamos que perturbá-lo é inapropriado, até mesmo prejudicial” (Freud, 2010, 172).</p>
</blockquote>



<p>Trata-se, assim, de um processo natural que, embora possa afastar o sujeito das suas atividades habituais, passará após a sua elaboração.</p>



<p>O luto sempre ocorre a partir de um evento traumático, alguma perda, não necessariamente pela morte de um parente ou de alguém muito significante, mas pode se referir à perda de um emprego, o afastamento de um amigo ou uma separação conjugal. Ao vivenciar um desses eventos, o sujeito pode responder de uma forma mais saudável, mais natural. Supondo que uma pessoa tenha perdido seu irmão mais querido, vítima de uma doença grave, durante um tempo, há um recolhimento, um período de afastamento das atividades costumeiras e do convívio social. Nesta fase, o choro é comum ao se reviver as lembranças da convivência com aquele irmão. É natural e desejável que, depois desse período, aos poucos, a pessoa vá elaborando este episódio doloroso e voltando à sua rotina.</p>



<p>Eventos como esse, ocorrem inúmeras vezes na vida do sujeito, e estão diretamente relacionados com a libido, que é a energia psíquica que impulsiona o ser humano. Quando o sujeito se depara com algo que lhe dá satisfação, há um investimento de libido sobre esse objeto, seja ele uma pessoa, um trabalho ou uma atividade esportiva. Assim, quando há uma perda ou o afastamento desse objeto, essa libido, investida no objeto em foco, fica sem lugar. O processo de luto consiste em fazer com que essa libido retorne para o sujeito para ser, novamente, direcionada a outro objeto. Dessa forma, o sujeito pode seguir o curso da vida, pronto para outras experiências e outros trabalhos de luto.</p>



<p>Esse trabalho de luto consiste em renunciar a um determinado caminho de prazer que estava montado, renunciar a uma relação amorosa que estava estabelecida, renunciar a uma amizade de longa data que já contava com a confiança. No luto o sujeito é convidado a ressignificar todo o investimento libidinal que havia sido dedicado ao referido objeto. Por conseguinte, quando o sujeito elabora essa separação, ele está pronto para reinvestir a sua energia psíquica em outros objetos, pessoas, ideais, causas e situações.</p>



<p><strong>Sobre a melancolia</strong></p>



<p>Na melancolia, o sujeito apresenta um estado de ânimo profundamente doloroso, a ponto de ser descrito como dilacerante. É um processo que se diferencia do luto pelo fato do sujeito perder sua autoestima, levando-o a desferir ofensas contra si mesmo, como se simulasse um ato de punição. </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“A melancolia se caracteriza, em termos psíquicos, por um abatimento doloroso, um desinteresse pelo mundo exterior, perda da capacidade de amar, inibição de toda atividade e diminuição da autoestima” (Freud, 2010, p.172).</em></p>



<p>A melancolia caracteriza-se psiquicamente por um estado de ânimo profundamente dolorido, pela suspensão do interesse pelo mundo externo, pela perda da capacidade de amar, pela inibição geral das capacidades de realizar tarefas e pela depreciação do sentimento por si mesmo. O sujeito não sabe dizer o que perdeu, descreve um vazio no qual nada o preenche, atestando uma escuridão interminável. Mesmo que o sujeito seja consciente da perda, ele não saberia dizer o que perdeu, dada a íntima identificação com o objeto perdido. Há toda uma problemática da ausência combinada a uma presença maciça do objeto, dentro de si.</p>



<p>A grande diferença entre luto e melancolia, é a forma como a estrutura psíquica do sujeito responde ao evento traumático. Seguindo com o exemplo supracitado, no qual a ocorrência se refere à perda de um irmão. Nesse sentido, um outro irmão pode receber o fato de maneira tal, que a dor é insuportável, pois ele não consegue explicar o que perdeu. Há, nesse caso, uma identificação com o objeto perdido, como se ambos se fundissem e o sujeito sucumbisse, se depreciasse e se culpasse, entrando num processo de morte.</p>



<p>Por infligir nele mesmo uma culpa excessiva num movimento de autodestruição, isso se difere do luto, pois há uma identificação do sujeito com o objeto perdido, o que faz com que o mundo interno se perca. A sombra do objeto perdido recai sobre o ego, e este passa a ser visto como objeto, o que permite ao sujeito investir, sobre si mesmo, os afetos que seriam direcionados ao objeto amado, depreciando seu próprio eu, agredindo a sua autoestima. Sendo assim, há uma dificuldade enorme de se desvencilhar desses sentimentos, e o sujeito passa a vivenciar uma dor interminável.</p>



<p><strong>Sobre a clínica</strong></p>



<p>No setting analítico acolhe-se frequentemente pessoas que chegam angustiadas, sentindo um imenso vazio, uma sensação de insignificância, um quadro que coincide com um estado de profunda dor, de abandono de si, de desinteresse pelas atividades cotidianas e depreciação do próprio ser; um quadro de melancolia.</p>



<p>O melancólico, neste sentido, tem uma sensação de desvalia do eu, com uma dor moral, uma dor de existir, um sentimento de culpa e de autopunição, tudo isso gira em torno de um objeto perdido.</p>



<p>Para a Psicanálise, o sintoma é o meio que o sujeito encontrou, para poder continuar seguindo o curso da vida, para se constituir como sujeito, em que pesem os sofrimentos. O sujeito melancolizado se apresenta pouco disposto a investir, a apostar no mundo e na realidade externa, a perseguir os seus sonhos apostando em novas possibilidades. Se sente impedido de falar acerca do seu estado, sem perspectivas de futuro. Assim, pergunta-se: qual o caminho a escolher? O que pode levar o sujeito a pensar na sua dor, a mudar de posição em relação ao seu próprio sofrimento?</p>



<p>Dessarte, a melancolia é um estado no qual a dor é descrita como maior que tudo, maior até que a vontade de viver, na qual o sujeito é capaz de depreciar o próprio eu, desferindo afetos que, segundo Freud, seriam, possivelmente, direcionados ao objeto perdido, como uma forma de manter o laço de uma presença sempre ausente. Dirá o pai da psicanálise que: </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Ouvindo com paciência as autoacusações de um melancólico, não conseguimos, afinal, evitar a impressão de que frequentemente as mais fortes entre elas não se adequam muito a sua própria pessoa, e sim, com pequenas modificações, a uma outra, que o doente ama, amou ou devia amar” (Freud, 2010, p.179).</em></p>



<p>Nesse luto infinito é o movimento no qual o sujeito pode se colocar à sombra do objeto, assumindo a sua forma. É quando o sujeito internaliza o objeto numa relação nomeada por Freud, identificação narcísica, que não se permite que o sujeito separe o objeto perdido de si mesmo. Na internalização do objeto amado, os afetos não encontram outro alvo, senão o próprio sujeito. Tudo isso ocorre, segundo Freud, pelo deslocamento da libido que era investida naquele objeto que fora perdido e que, após a sua perda, foi internalizado, não podendo ser reinvestido.</p>



<p>Com isso, a libido recua para o eu, mas desta vez contra o sujeito, causando todo esse estado de dor e de perda de si mesmo, o que consiste na manifestação patológica do luto. </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Desse modo a perda do objeto se transformou numa perda do Eu, e o conflito entre o Eu e a pessoa amada, numa cisão entre a crítica do Eu e o Eu modificado pela identificação” (Freud, 2010, p.181).</em></p>



<p>É quando o luto se eterniza e o sujeito melancólico acaba por ser aquele incapaz de encontrar o caminho de volta a um porto seguro, para vislumbrar um novo caminho a seguir, rumo a outros objetos de desejo.</p>



<p><strong>Considerações finais</strong></p>



<p>O presente estudo propôs uma breve releitura do texto “Luto e Melancolia” de Sigmund Freud, explorando o tema de forma singela, buscando entender os mecanismos que levaram o autor a observar os mecanismos de enfrentamento da dor da perda e a compreender que nem todos conseguem lidar com a perda, seja ela repentina ou esperada. O luto tem um papel crucial na vida do sujeito, tendo em vista que não é possível viver sem perder, pois, a qualquer momento se pode ser surpreendido por uma perda e, quando se perde algo, também se perde algo de quem se é. Contudo, diante do objeto perdido, nota-se que este nunca será perdido por completo, pois, a qualquer momento, um cheiro, uma recordação, uma música, um ruído, um sabor, algo poderá trazer a lembrança daquele objeto amado e reacender a sua presença. O luto é algo inerente ao ser humano, e será inúmeras vezes, vivenciado, elaborado, transposto e, após o término do seu trabalho, haverá espaço para um novo investimento de libido em novos objetos. Na melancolia o trabalho não se completa, o sujeito vive um luto sem fim, uma dor corrosiva e estranha que o leva a depreciar e punir a si mesmo, sendo esse o único meio de expressar os afetos em relação àquele objeto que, internalizado, passou a fazer parte de si mesmo.</p>



<p><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p>FREUD, Sigmund. Luto e melancolia (1915). In: FREUD, Sigmund. Obras completas volume 12: introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. v. 12.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/luto-e-melancolia-uma-releitura-da-relacao-entre-perda-e-elaboracao-na-estrutura-psiquica/">Luto e Melancolia: Uma Releitura da Relação entre Perda e Elaboração na Estrutura Psíquica</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/luto-e-melancolia-uma-releitura-da-relacao-entre-perda-e-elaboracao-na-estrutura-psiquica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>6</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A IA pode substituir um terapeuta?</title>
		<link>https://lalettre.com.br/a-ia-pode-substituir-um-terapeuta/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/a-ia-pode-substituir-um-terapeuta/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Sep 2025 13:37:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=11577</guid>

					<description><![CDATA[<p>Segundo um estudo publicado na Harvard Business Review, em 2025, terapia com chatbots foi o principal uso que as pessoas fizeram da inteligência artificial (IA). Isso significa que as pessoas estão usando chatGPT, Gemini, Copilot e outras ferramentas do tipo principalmente para &#8220;conversarem&#8221;. Será que a IA poderá um dia substituir os terapeutas? Essa é [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/a-ia-pode-substituir-um-terapeuta/">A IA pode substituir um terapeuta?</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Segundo um estudo publicado na <a href="https://hbr.org/2025/04/how-people-are-really-using-gen-ai-in-2025">Harvard Business Review</a>, em 2025, terapia com chatbots foi o principal uso que as pessoas fizeram da inteligência artificial (IA). Isso significa que as pessoas estão usando chatGPT, Gemini, Copilot e outras ferramentas do tipo principalmente para &#8220;conversarem&#8221;. Será que a IA poderá um dia substituir os terapeutas?</p>



<p>Essa é uma pergunta que não apenas os profissionais de saúde mental estão se fazendo (psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, etc), mas também os jovens. O número de pessoas interessadas em estudar psicologia no Brasil cresceu de forma expressiva, mais do que duplicando entre 2010 e 2021, com um aumento de 112,4% nas matrículas, <a href="https://sites.usp.br/psicousp/procura-por-curso-de-psicologia-nas-faculdades-explode-no-brasil/">de acordo com dados do Instituto de Psicologia da USP</a> &#8211; Universidade de São Paulo.</p>



<p>Esse fenômeno é certamente mundial. É como dizem por aí: metade da população está louca, a outra metade está fazendo terapia. O aumento da demanda pelo curso de psicologia e da percepção da importância da saúde mental é revelada nos números, e o uso da IA como terapeuta é só mais um dado na planilha da análise sociológica contemporânea.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Concorrência desleal</h2>



<p>A demanda por terapia é grande, o estigma de que os profissionais &#8220;psi&#8221; tratam de loucos ainda existe, mas diminuiu bastante. E por mais que tenhamos um aumento nos números de profissionais, restam ainda muitos entraves para uma significativa popularização das psicoterapias.</p>



<p>O fator financeiro, sobretudo em países como o Brasil, provavelmente é o maior entrave. As terapias custam caro, às vezes muito caro, mas os profissionais precisam cobrar, afinal estudaram, investiram em suas formações e, embora as psicoterapias tratem da ‘alma’ da pessoa (lembrando que ‘psi’ significa alma), elas não são igreja nem caridade. O campo é diverso: algumas vertentes se reivindicam como ciência, outras flertam com a metafísica, mas todas têm um método e uma epistemologia que as sustentam.</p>



<p>Somando o fator financeiro à disponibilidade total das IAs em termos de tempo e de um suposto sigilo (sabe-se lá para onde vão as informações reveladas a ela), tem-se que, a princípio, as IAs têm tudo para substituir os terapeutas humanos. A concorrência é desleal: gratuita e operando 24 horas por dia.</p>



<p>Mas os problemas com as IAs já começam a aparecer. Recentemente tivemos a primeira denúncia jurídica contra uma empresa que opera IA, no caso, a OpenAi, que faz a chatGPT. O processo apenas começou, não sabemos o resultado, mas a empresa foi acusada de assistir ao suicídio de um adolescente de 16 anos.</p>



<p>Além disso, <a href="https://lalettre.com.br/psicose-do-chatgpt-inteligencia-artificial-enlouquece/">casos de psicose foram relatados</a> causados por uso extenso da ferramenta. É o &#8220;no limits&#8221; de tempo de uso e o exagero dos elogios, a falta de alteridade e a ausência de castração que, em sujeitos mais frágeis, e justamente os que mais precisam de terapia, que a IA é perigosa.</p>



<p>Outros casos menos graves, pequenos impasses da vida cotidiana também viraram notícia. Por exemplo, perder um voo por ter acreditado nas informações fornecidas pela IA. São casos bobos, mas que já começam a mostrar os efeitos da IA em nossa sociedade e, mais que isso, o início da descrença nesse superpoder, nessa inteligência, que por artificial que seja, nos reporta sempre a uma inteligência.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O começo da virada</h2>



<p>Talvez a IA venha a ser o grande tiro fálico que saiu pela culatra no sentido de ter suas fragilidades cada vez mais expostas.</p>



<p>Se assim acontecer, além de as IAs num futuro próximo não poderem substituir os terapeutas, ela poderá fazer justamente o contrário: fomentar as psicoterapias dado que estão causando mais danos que trazendo soluções.</p>



<p>Talvez a nossa opinião, como instituto que somos, seja um pouco suspeita: Freud explica! Mas percepções viram números quando exacerbam as opiniões pessoais e viram dados na planilha social que estamos construindo, quer a Inteligência Artificial queira, quer não queira.</p>



<p>E você? Como vê essa questão? A IA pode substituir um terapeuta?</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/a-ia-pode-substituir-um-terapeuta/">A IA pode substituir um terapeuta?</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/a-ia-pode-substituir-um-terapeuta/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quem Corre Chega Cedo: Aceleração e Sintomas Psíquicos</title>
		<link>https://lalettre.com.br/quem-corre-chega-cedo-aceleracao-e-sintomas-psiquicos/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/quem-corre-chega-cedo-aceleracao-e-sintomas-psiquicos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Jul 2025 11:19:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[curso de psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[psiquiatria]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=11334</guid>

					<description><![CDATA[<p>Era uma vez uma publicidade, desses grandes painéis de outdoor, que circulava no interior de São Paulo. O cartaz dizia: &#8220;Quem corre chega cedo.&#8221; Tratava-se de uma publicidade — do governo talvez — para a redução da velocidade no trânsito, com seus acidentes consequentes. E a imagem que emoldurava a frase era a de um [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/quem-corre-chega-cedo-aceleracao-e-sintomas-psiquicos/">Quem Corre Chega Cedo: Aceleração e Sintomas Psíquicos</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Era uma vez uma publicidade, desses grandes painéis de outdoor, que circulava no interior de São Paulo. O cartaz dizia: &#8220;Quem corre chega cedo.&#8221;</p>



<p>Tratava-se de uma publicidade — do governo talvez — para a redução da velocidade no trânsito, com seus acidentes consequentes. E a imagem que emoldurava a frase era a de um carro que, chegando ao céu, era recepcionado por um anjo. A publicidade é antiga, mas se encaixa muito bem na vida contemporânea. E não é preciso dirigir carros para se identificar com ela.</p>



<p>No mundo acelerado em que vivemos, o corre-corre é a desculpa maior e melhor: a que se encaixa pra tudo e pra todos. Atrasos, faltas e mancadas. Trabalhos, amores e amizades.</p>



<p>Quais sintomas mais aparecem na clínica psicanalítica, tendo em vista esse novo modo ofegante de viver, quase sem respirar?</p>



<p>Pânico? Depressão? Não querer sair da cama? Usar substâncias para dar conta do recado? Hipermedicalização para um hiper-rendimento?</p>



<p>Esgotamento, burnout, asma, falta de ar, dores nas pernas que não mais podem correr. O corpo pedindo: desacelera para não chegar cedo, mas a mente querendo ler o livro “Como Acelerar Desacelerando?”.</p>



<p>Verdade seja dita: caímos na velha armadilha — a do&nbsp;<strong>Sí­sifo</strong>&nbsp;amaldiçoado! Carregamos, empurramos, forçamos e nos esforçamos&#8230; mas para quê tudo isso? Como sair dessa?</p>



<p>Como a psicanálise começa onde os conselhos terminam, propomos uma escuta que consiga separar o ruído do som, para ouvir o sujeito em sua própria e única sinfonia.</p>



<p>Nos dias 16, 23 e 30 de agosto, o Instituto La Lettre apresenta um novo curso:&nbsp;<strong>Escutas em Ruído: Psicanálise Frente à Crise da Palavra e do Laço Social.</strong></p>



<p>Como sustentar uma escuta clínica quando a fala vem atravessada por excesso de informação, imagens e discursos que patologizam o sujeito?</p>



<p>No dia 16 de agosto, a Dra. Roberta Sampaio, médica psiquiatra, psicanalista e especialista em psicossomática, vai falar sobre esse tema.</p>



<p>Vamos discutir os sintomas contemporâneos que mais vêm aparecendo em meio a tanto corre-corre, barulho e cansaço. Muitas pessoas estão dirigindo suas vidas sob efeito de remédios para chegarem cedo, mas não sabem aonde, para quê, nem por quê… Precisamos saber escutá-las.</p>



<p>Saiba mais sobre esse curso aqui -&gt; <a href="https://lalettre.com.br/escutas-em-ruido/">https://lalettre.com.br/escutas-em-ruido/</a></p>



<p></p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/quem-corre-chega-cedo-aceleracao-e-sintomas-psiquicos/">Quem Corre Chega Cedo: Aceleração e Sintomas Psíquicos</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/quem-corre-chega-cedo-aceleracao-e-sintomas-psiquicos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O primeiro paciente a gente nunca esquece</title>
		<link>https://lalettre.com.br/o-primeiro-paciente-a-gente-nunca-esquece/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/o-primeiro-paciente-a-gente-nunca-esquece/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jul 2025 14:16:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[clínica psicanalítica]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=10741</guid>

					<description><![CDATA[<p>Tem uma certa idade quem se lembra de uma propaganda que dizia que o primeiro sutiã a gente nunca esquece. Frase de efeito, de fato, as experiências marcantes da nossa vida são mesmo inesquecíveis. E foi assim comigo quando ouvi a minha primeira paciente. Ela era um emaranhado de pensamentos e sentimentos contidos em uma [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/o-primeiro-paciente-a-gente-nunca-esquece/">O primeiro paciente a gente nunca esquece</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tem uma certa idade quem se lembra de uma propaganda que dizia que o primeiro sutiã a gente nunca esquece. Frase de efeito, de fato, as experiências marcantes da nossa vida são mesmo inesquecíveis. E foi assim comigo quando ouvi a minha primeira paciente.</p>



<p>Ela era um emaranhado de pensamentos e sentimentos contidos em uma espécie de novelo de linha desfeito. Ela abundava em palavras. Ela falava mais que o homem da cobra. Se as coisas fossem como na época do Freud, eu a ouviria todo dia &#8211; ou quase &#8211; e ainda assim haveria conteúdo para meses ou anos de falatório.</p>



<p>Eu não me preocupei em entender tudo, em pescar tudo o que escorria daquele rio de histórias, apenas tive a certeza de que certos fragmentos voltariam, assim como outros, aqueles mais profundos que não vieram à tona naquele primeiro encontro, devagar-devagarzinho subiriam à superfície das águas como criaturas abissais, que cansadas do escuro, buscam a luz.</p>



<p>A paciente era para mim uma promessa de análise. Apenas uma promessa porque sabemos que, uma vez começada, uma outra promessa poderia pairar sobre as sessões: o abandono, essa palavra que um pouco me lembra a abundância, por causa dessa letra b que antecede a d e que dá um tom redondo com a n, e me sugere que quem abunda (de sentimentos e pensamentos emaranhados) corre o risco do abandono. Uma espécie de neurose de destino que termina num &#8220;eu abandono antes de abundar, de transbordar e ser abandonada&#8221;&#8230;</p>



<p>Mas todas essas questões que me colocariam a pensar, a ansiar ou a me preocupar, ao contrário, me trouxeram paz de espírito. Como se eu soubesse estar vivendo naquele instante, em uma daquelas experiências inesquecíveis que nos marcam para sempre. </p>



<p>Aquilo era tudo o que eu tinha. Mas havíamos marcado a próxima conversa.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>



<p></p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/o-primeiro-paciente-a-gente-nunca-esquece/">O primeiro paciente a gente nunca esquece</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/o-primeiro-paciente-a-gente-nunca-esquece/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>No mundo onde ninguém escuta ninguém, a Psicanálise é fundamental</title>
		<link>https://lalettre.com.br/no-mundo-onde-ninguem-escuta-ninguem-a-psicanalise-e-fundamental/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/no-mundo-onde-ninguem-escuta-ninguem-a-psicanalise-e-fundamental/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jan 2025 13:05:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[escuta]]></category>
		<category><![CDATA[falar]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[solidão]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=9546</guid>

					<description><![CDATA[<p>Considere o seguinte diálogo: &#8211; Como vai o novo trabalho? &#8211; Não gosto. Não suporto, mas preciso trabalhar. &#8211; Ah você não sabe o quanto eu odiava o meu trabalho! Um outro diálogo similar: &#8211; Como você está? &#8211; Péssimo! Sinto dores por todo o corpo&#8230; &#8211; Eu também estou cheio de dores, me dói [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/no-mundo-onde-ninguem-escuta-ninguem-a-psicanalise-e-fundamental/">No mundo onde ninguém escuta ninguém, a Psicanálise é fundamental</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>Considere o seguinte diálogo:</strong></p>



<p>&#8211; Como vai o novo trabalho?</p>



<p>&#8211; Não gosto. Não suporto, mas preciso trabalhar.</p>



<p>&#8211; Ah você não sabe o quanto eu odiava o meu trabalho!</p>



<p><strong>Um outro diálogo similar:</strong></p>



<p>&#8211; Como você está?</p>



<p>&#8211; Péssimo! Sinto dores por todo o corpo&#8230;</p>



<p>&#8211; Eu também estou cheio de dores, me dói a cabeça, o dedão do pé e até o cabelo&#8230;</p>



<p>Num mundo onde ninguém escuta ninguém, a psicanálise é fundamental! As pessoas estão cada vez mais voltadas a si mesmas, ensimesmadas como se diz. Os poucos diálogos que conseguimos ter se referem aos narcisos de cada um, o que vira uma discussão sobre quem sofre mais, quem viaja mais, quem compra mais, enfim&#8230;</p>



<p>A psicanálise não só é um lugar de escuta como o lugar da escuta diferente, que foge do senso comum, das receitas de bolo, das sugestões e dos conselhos.</p>



<p>Muitas vezes a gente só precisa falar, desembuchar. Livrar-se de uma palavra que ficou engasgada porque educadamente não podemos mandar o mundo pr&#8217;aquele lugar.</p>



<p>A psicanálise faz eco à própria voz. O discurso retorna e retoma um novo fôlego. Talvez mude de assunto e se reelabore. Essa é a ideia.</p>



<p>Outro dia eu li em uma camiseta a seguinte frase: &#8220;Eu não quero solução, eu só quero reclamar&#8221;. Achei a frase um resumo do que pode ser uma sessão de psicanálise, onde o lamento tem lugar e não recebe uma resposta do tipo solução ou, pior, um resposta narcísica do tipo: &#8220;mas eu no seu lugar&#8230;&#8221;</p>



<p>Esse tipo de diálogo que se vê hoje em dia me ressoa muito como um sinal da falta de ter com quem conversar, de ter alguém que te escute, alguém que, pelo menos aparentemente, se importe contigo. Essa falta não raramente se reverte em sintomas de depressão, ansiedade, baixa autoestima&#8230; A impressão que temos é que o mundo está cada vez mais egoísta e difícil para o animal social que é o homem.</p>



<p>Junte-se a isso o fato de a psicanálise ser um lugar da escuta sem julgamento. Se um psicanalista te der notas sobre o seu comportamento, duvide da sua formação. A psicanálise é, por suposto, uma escuta sem julgamento porque tem-se&nbsp;<em>a priori</em> que ninguém sabe de nada, nem o próprio sujeito sabe de si. O paciente (ou o psicanalisando) acha que sabe alguma coisa sobre si: &#8220;sou uma pessoa boa&#8221;, &#8220;sou um neurótico&#8221;, &#8220;sou um borderline&#8221;. Ele chega com convicções que vão se esfarelendo como um muro feito de tijolo de quinta qualidade, para ser reconstruído graças exatamente ao não julgamento do psicanalista que sabe não saber, enquanto o psicanalisando acredita que ele sabe alguma coisa. Parece brincadeira de esconde-esconde, mas é exatamente assim, porque um verdadeiro processo de descoberta, qualquer descoberta que seja, implica na ideia do não saber, do desconhecido, esse que não se apressa em fazer comparações: &#8220;mas eu mais&#8221;, nem a dar receitas: &#8220;mas você deveria&#8221;.</p>



<p>É por isso que a psicanálise segue viva, graças à grandeza da humildade da ignorância, embora esteja suposto um saber, que será, porém, revelado no tempo e no espaço que for permitido à voz vaguear livremente&#8230; sem julgamentos, apenas no eco de quem quer falar e ser ouvido.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Se este tema despertou sua curiosidade sobre a psicanálise, conheça nossa <a href="https://lalettre.com.br/psicanalise/">Formação em Psicanálise</a> — um percurso sério, acolhedor e pensado para quem quer ir além.</em></p>
</blockquote>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/no-mundo-onde-ninguem-escuta-ninguem-a-psicanalise-e-fundamental/">No mundo onde ninguém escuta ninguém, a Psicanálise é fundamental</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/no-mundo-onde-ninguem-escuta-ninguem-a-psicanalise-e-fundamental/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dissecando a Personalidade Psíquica para Entender Quem é Você na Fila do Pão</title>
		<link>https://lalettre.com.br/dissecando-a-personalidade-psiquica-para-entender-quem-e-voce-na-fila-do-pao/</link>
					<comments>https://lalettre.com.br/dissecando-a-personalidade-psiquica-para-entender-quem-e-voce-na-fila-do-pao/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Daia Florios]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 15:39:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[freud]]></category>
		<category><![CDATA[psicanálise]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://lalettre.com.br/?p=6341</guid>

					<description><![CDATA[<p>No texto &#8220;A Dissecção da Personalidade Psíquica&#8221;, Freud descreve a complexa estrutura da mente humana, dividindo o pobre EU de modos que precisaríamos de três pronomes para nos referirmos a nós mesmos: o Eu, o Isso e o Aquilo. O isso é o Id, o inconsciente, alguma coisa tão estranha que seria impessoal se não [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/dissecando-a-personalidade-psiquica-para-entender-quem-e-voce-na-fila-do-pao/">Dissecando a Personalidade Psíquica para Entender Quem é Você na Fila do Pão</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>No texto &#8220;A Dissecção da Personalidade Psíquica&#8221;, Freud descreve a complexa estrutura da mente humana, dividindo o pobre EU de modos que precisaríamos de três pronomes para nos referirmos a nós mesmos: o Eu, o Isso e o Aquilo. O isso é o Id, o inconsciente, alguma coisa tão estranha que seria impessoal se não fosse EU também. Aliás, o Id é talvez o mais EU de todos. E tem ainda o Super-eu no papel de &#8220;Aquilo&#8221; que eu queria ser: o eu idealizador. Poxa vida, que complicação que é ser EU para Freud. Mas vamos por partes, literalmente por partes.</p>



<p>&#8220;Dissecção&#8221; é uma palavra bem conhecida para o pessoal das ciências biológicas. O termo se refere ao ato de dissecar, ou seja, de cortar e separar as partes de um corpo ou de uma estrutura para examinar seus detalhes internos e compreender sua organização e funcionamento. No contexto freudiano, &#8220;a dissecção da personalidade psíquica&#8221;, sugere uma análise detalhada e profunda das componentes e estruturas que formam a nossa personalidade.&nbsp;</p>



<p>Em poucas palavras, o EU é um sujeito dividido, mas tão dividido que se ele estivesse na fila do pão, não saberia dizer quem ele era: se o pão, o padeiro ou a padaria.&nbsp;</p>



<p>Mas voltando ao texto em questão, Freud então divide a psique humana nestas três instâncias, onde o Id representa os impulsos instintivos e as necessidades primárias, operando de forma inconsciente; o Super-eu, formado das internalizações dos valores sociais, exerce uma função crítica e punitiva, influenciando o EU não apenas com julgamentos, mas também com ideais, pois o Super-eu é estrutural, não é um sinônimo de consciência moral, e também opera em nosso inconsciente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">E o EU é quem?</h2>



<p>O EU é uma entidade mediadora que tenta cumprir suas tarefas sob a constante pressão dos desejos instintivos do Id, e as expectativas do Super-eu, em meio às realidades do mundo externo. Então o EU vive contra MIM em uma negociação perene entre&nbsp;<em>quero, não posso, devo, não quero</em>,&nbsp;o que pode levar o sujeito a conflitos, angústias e, em alguns casos, patologias.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O EU é um Outro</h2>



<p>Nessa confusão de pronomes que o EU se apresenta para Freud como sendo ISSO&nbsp;<strong>e</strong>&nbsp;AQUILO, um processo interessante chamado identificação explica que &#8220;o eu é um outro&#8221;, como dizia Lacan que disse Rimbaud.</p>



<p>Isso porque, uma das instâncias do Eu, o Super-eu, inicialmente é representado pelos pais, ou cuidadores, porque estes desempenham o papel da autoridade, ou do modelo, para o sujeito que está se formando. A autoridade se manifesta tanto pelo amor quanto pelo castigo, estabelecendo as bases da moralidade na criança.</p>



<p>Com o tempo, essa influência parental é internalizada, formando o Super-eu que assume a função de observar e regular o EU com a mesma severidade que os pais usavam, independentemente de a educação parental ter sido rígida ou permissiva.</p>



<p>A formação do Super-eu é complexa e baseada no processo de identificação, onde o Eu adota características de outra pessoa, inicialmente os pais ou cuidadores, transformando-se à semelhança deste modelo. Esse processo é primordial na nossa ligação com os outros,&nbsp;não sem razão, a identificação já foi comparada à incorporação oral, canibalesca, do outro.&nbsp;</p>



<p>Mas o Super-eu, além de ser partes do outro incorporadas em nós, é também o portador do <a href="https://lalettre.com.br/eu-ideal-ideal-de-eu-e-burnout/">ideal do Eu</a>. É por ele que nos medimos e nos julgamos, nos aprovamos e nos reprovamos com a régua da velha ideia que tínhamos dos primeiros cuidadores, pois fora com eles&nbsp;que nos identificamos pela primeira vez, e com os quais, provavelmente tivemos sentimentos de admiração ou respeito por necessidade. Se o outro não olhasse para nós, morreríamos. A identificação foi, ao seu tempo primário, questão de vida ou morte. </p>



<h2 class="wp-block-heading">O EU é o Inacessível&nbsp;</h2>



<p>Agora que a fila do pão vai encurtando, tendo &#8220;resolvido&#8221; o problema do Super-eu, nos resta definir o Id para tentar descobrir quem é, afinal, o EU nessa história. O Id (ou o Isso) é a parte obscura e inacessível de nossa personalidade que pode ser descrita somente em contraposição ao Eu. É o cavalo selvagem desgovernado por seu instinto, é &#8220;o caos, um caldeirão cheio de excitações fervilhantes.&#8221;</p>



<p>Não precisamos prosseguir com essa definição porque o texto do Freud é bem curtinho e didático. Mas para trazer uma metáfora mais atual, digamos que o EU na fila do pão é o neurótico que está pensando: <em>compro ou não compro, se compro, como, se como engordo, se não como fico com fome, se fico com com fome me sinto fraco, mas se como só um pouquinho quero o filão inteiro</em>, enfim&#8230; O EU tá na briga entre o desejo e o dever, identificado com valores, pessoas e normas que ele não escolheu de livre e espontânea vontade e nem sabe porque está nesse lugar de tamanha dúvida sobre ele próprio, porque ele, de próprio, não tem nada.</p>



<p>E aí entra a psicanálise, cuja &#8220;intenção é, realmente, fortalecer o EU, torná-lo mais independente do Super-eu, ampliar seu âmbito de percepção e melhorar sua organização, de maneira que possa apropriar-se de novas parcelas do Id. Onde era Id, há de ser Eu&#8221;, diz Freud.</p>



<p>Em outras palavras, eu diria que o EU busca um pronome para chamar de seu. Só seu. Mas não vai conseguir pois sua estrutura é essa: dividida. Então, separar-se do outro representado pelo Super-eu e ter consciência de que existe um cavalo selvagem no comando, pode ajudar o sujeito a se libertar talvez um pouquinho da sua ânsia de saber, de se conhecer para aplacar suas dores e angústias. Mas se tem uma coisa que a psicanálise não faz, é dar receita de bolo. E é justamente essa a sua beleza. Pois então, na fila do pão, seja quem você puder.</p>



<p><strong>Fonte:</strong>&nbsp;<strong>Freud</strong>, S. (2010).&nbsp;<strong>&#8220;A Dissecção da Personalidade Psíquica&#8221;</strong>&nbsp;In S.&nbsp;<strong>Freud, Obras completas</strong>&nbsp;(P. C. de Souza, Trad.,&nbsp;<strong>Vol. 18</strong>, pp. 139-160). São Paulo: Companhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1930)</p>
<p>O post <a href="https://lalettre.com.br/dissecando-a-personalidade-psiquica-para-entender-quem-e-voce-na-fila-do-pao/">Dissecando a Personalidade Psíquica para Entender Quem é Você na Fila do Pão</a> apareceu primeiro em <a href="https://lalettre.com.br">Instituto La Lettre | Psicanálise</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://lalettre.com.br/dissecando-a-personalidade-psiquica-para-entender-quem-e-voce-na-fila-do-pao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
